LETTER 2 FUTURE
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من: Thaysa
مكتوب : 01-06-2026
سيتم إرساله : 01-06-2029
Dear FutureMe,

Escrevo este texto logo após o meu aniversário, em um momento da vida que não é exatamente como eu imaginei que seria.

Hoje estou desempregada. Existem dias leves e existem dias pesados. Existem dias em que acredito profundamente que algo bom está a caminho e dias em que a incerteza parece ocupar espaço demais dentro de mim. Não sei exatamente quando você estará lendo estas palavras, nem como estará sua vida. Talvez tudo isso já tenha ficado para trás. Talvez você esteja vivendo desafios completamente diferentes. Mas gostaria que você se lembrasse de quem eu sou neste momento.

Recentemente li uma frase da Tamara Klink que ficou reverberando dentro de mim:

“Para mim, o sentido da vida é sentir.”


Não sei se ela pretendia que essa frase carregasse tantas camadas, mas foi assim que ela chegou até mim.

Percebi que passo muito tempo tentando encontrar sentido nas conquistas, nos planos realizados, nos próximos passos, nos objetivos alcançados. Como se a vida estivesse sempre um pouco adiante, esperando por mim depois da próxima meta.

Mas e se o sentido não estiver apenas lá na frente?
E se ele estiver aqui?
Neste exato momento?
No frio na barriga diante do desconhecido.
Na esperança que insiste em voltar, mesmo depois de algumas decepções.
Na saudade de algumas coisas.
Na gratidão por outras.
No medo.
Na coragem.
Na vulnerabilidade.
Na capacidade de continuar me emocionando.

Talvez o mais difícil seja aceitar que sentir não significa apenas experimentar alegria. Significa permitir que a vida passe por nós em todas as suas formas. Significa não reduzir a existência aos dias em que tudo dá certo.

Hoje, enquanto atravesso um período de transição, quero me lembrar de que minha vida não está suspensa. Ela não começou a esperar junto comigo por uma oportunidade profissional. Ela continua acontecendo todos os dias.

Ela acontece quando leio uma página que me toca.
Quando converso com alguém que amo.
Quando observo o céu ao fim da tarde.
Quando me permito descansar.
Quando choro.
Quando rio.
Quando sonho.
Quando sinto.

Se você estiver lendo isto em um momento feliz, espero que não esqueça desta versão de nós. Ela talvez tivesse menos certezas, mas possuía uma sensibilidade que não quero perder.

E se estiver lendo isto em um momento difícil, quero que saiba que já estivemos aqui antes. Talvez em circunstâncias diferentes, mas conhecemos a sensação de não saber exatamente o que vem depois. E, ainda assim, seguimos em frente.

A verdade é que não quero medir a minha vida apenas por resultados. Quero medi-la também pela profundidade com que a vivi.

Quero chegar ao final de cada ciclo sabendo que estive presente.
Que me deixei tocar.
Que não passei pela vida anestesiada.
Que continuei aberta ao espanto, ao amor, à curiosidade e à beleza, mesmo quando as coisas não saíam como planejado.
Se um dia você esquecer tudo isso, releia esta carta.

Lembre-se de que houve uma mulher sentada em meio às suas dúvidas, logo após um aniversário, tentando entender qual era o sentido de tudo.

E que, naquele dia, ela encontrou uma resposta simples:
Talvez o sentido não seja controlar a vida.
Talvez o sentido não seja compreendê-la completamente.
Talvez o sentido seja vivê-la.
E sentir.


Com carinho,
Eu.
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